Lembra quando me olharam firme
me olharam, preocupados
e me perguntaram: ‘tu vai casar?’
eu disse que ’sim, um dia sim,
mas primeiro eu teria…
que
a
encontrar’
eu nem te falei
não falei pra ninguém
mas eu menti,
menti
naquela hora eu apertei a tua mão
mas soltei
eu queria
era ter apertado o teu rosto contra o meu
e ficar pra sempre assim
acho que quando a gente deseja
que um segundo passe assim
estamos desejando o infinito.
não sei se o infinito mora longe…
eu sempre o vejo por aqui
eu vejo ele me encarando daí, do seu rosto
assim eu me sinto tão minúsculo, insignificante
parece que eles vão me engolir
mas não engolem
tosse, tosse Manuel,
e eu fico pensando pensamentos anti-humanitários
torcendo pra que chova:
o meu rosto já está vermelho e molhado
assim ninguém vai perceber mesmo…
depois começo a imaginar
enquanto chove (chove…)
se um dia você sorriria, calma
e me perguntaria
com uma pureza doce, e com malícia também
o que eu vejo
o que enxergo em você?
e eu mentiria, contando a verdade
sobre um sorriso enorme, maravilhoso
uma voz baixa, que também sorri
e tudo mais
mas olha,
eu estaria mentindo
caso eu te dissesse
que me vejo em você;
e sem esperar resposta eu digo
como um bom laico-sincretista
que só enxergo em você
o rosto de deus.





23 de março de 2009 às 21:12
um dos seus melhores trabalhos, meu caro amigo ^^
5 de abril de 2009 às 21:48
vc sabe escrever, quero ser q nem vc quando crescer..*-*
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