Um lutador de primeira. Era o que o definia. Nunca perdera luta alguma, seja com os valentões do colégio ou da vizinhança, ele sempre saíra vencedor. Algumas vezes ganhara cicatrizes, outras saíra ileso. E nem por isso sentia-se triste ou feliz. Sentia apenas um vazio crescente no peito, algo que o deixava incapacitado de pensar por várias horas.
Um aluno regular, com notas medianas e um esforço tremendo para não repetir de ano, ele prosseguia com sua vida de lutador, sempre buscando novos desafios e pessoas para ganhar. Era confiante, arrogante, prepotente e orgulhoso de sua própria força. Protegia aos amigos com o mesmo ardor que atacava seus inimigos. Levantava-se do chão sempre, não importando quão ferido estivesse. Chegava em casa sangrando, batia a porta de seu pequeno apartamento, onde vivia só, sem pais ou parentes.
Seus pais, responsáveis pela estruturação básica de seu caráter haviam morrido antes mesmo dele completar cinco anos. Dias complicados, vividos em um albergue que cuidava de crianças como ele. Seus tios não o queriam, ou não queriam filhos ou já tinham os dele para criar. Viveu assim até os dez, quando foi adotado por uma prima sua, bastarda, filha do irmão mais velho de sua mãe com uma prostituta da época. Como ele, vivera sozinha até os dez anos, não por morte, mas por simples abandono. Sua mãe não queria uma filha, para virar prostituta como ela, e seu pai não iria nunca assumir uma criança feita fora do casamento. Assim, os dois se identificaram e juntos ficaram, num apartamento apertado, perto de uma linha de trem.
Acostumou-se a viver com sua amada prima, recebendo dela carinho e atenção jamais tidos enquanto podia se lembrar, e dando toda a atenção que ela um dia poderia ter pedido. O futuro nada lhes reservava além de felicidades. Dois anos após a adoção, sua prima se suicidou pulando na frente de um trem. Não que ela estivesse infeliz. Era simplesmente o contrário. Seu suposto pai não podia aceitar que ela fosse mais feliz que ele, e a convencera que a felicidade que ela tinha nãolhe pertencia.
Sozinho de novo, foi sustentado pelo Estado, que lhe daria tudo, desde que jamais repetisse um ano na escola. Assim iniciou-se sua lenda. Entrou no clube de caratê, e aprendeu técnicas avançadas de luta com um veterano que se afeiçoara dele. Esse veterano, contudo, fora baleado e morto numa tentativa de assalto em uma loja de conveniência.
Estava destinado a sempre sofrer perdas irreparáveis? Existia mesmo algo chamado "destino"? Ele não sabia, e sequer chegaria a saber. Decidira não se aproximar de mais ninguém, uma vez que todos que dele se aproximaram sofriam grandes tragédias, como era possível perceber pelo seu sádico passado. Passaria o resto dos anos que lhe faltavam para a conclusão de seus ensinos básicos e obrigatórios sozinho e então mudaria de cidade, procuraria um emprego, batalharia para sobreviver e quem sabe, ser feliz?
Em seu último ano no colégio, estava só. Os amigos que fizera foram embora, para academias de ensino melhor, em sua maioria fora da cidade, ou mesmo fora daquela província. Foram grandes companheiros de batalha, e nada mais do que isso, por isso, não sentia realmente que os perdera, mas sim, que não mais os veria por eles terem melhores objetivos. Nada de errado, até ai.
Outubro, meados de Outono. Praticamente metade do ano letivo. Durante todo esse tempo, passara sozinho, sem lutas ou desavenças com nenhum de seus habituais "inimigos". Na sua sala, era apenas o cara brigão, mas muito bom nos estudos. Ultimamente, suas notas haviam subido assustadoramente, em comparação com os dois últimos anos. Talvez pela paz proporcionada pela falta de lutas, ele passara mais tempo dentro de sala de aula, mais tempo estudando e, assim, conseguira se sair bem nas matérias. Frequentemente agora, surpreendia os olhares de uma certa garota, cujo nome lhe lembrava muito alguém, que não saberia dizer. Tsukino Amagawa era baixa, cabelos curtos e ligeiramente arrepiados, olhos brilhantes e um sorriso encantador, além de inteligência mediana e grandes relações com os demais alunos. Líder de turma e chefe do conselho estudantil, era uma garota que atraía atenções, mesmo que indesejadas.
Ele não sentia absolutamente nada por ela, a não ser um leve esgar de admiração, uma vez que era bonita e boa em relações com os alunos, mas nada que pudesse ser levado para um lado diferente do já encaminhado sentimento. Nunca conversara com ela, nem sequer um "Bom-dia" ou "Até amanhã", comumente ditos naquela sala.
Tocara o sinal. Hora de juntar o material e seguir diretamente para casa. Sentia-se um pouco desanimado, pois há muito tempo deixara de lutar, não por vontade própria, mas por falta de verdadeiros desafios. Pensava nisso, enquanto deixava a sala, esbarrando em Amagawa-san na porta, quase derrubando-a. Murmurou um "Perdão" enquanto seguia seu caminho. Observou que muitos garotos encararam-no de cara feia, prontos para uma briga, mas desencorajados pelo seu porte físico.
Já quase no portão, escutou uma voz doce chamar-lhe o nome. Amagawa-san lhe chamava, com algo seguro entre os dedos da mão esquerda, com partes brancas despontando-lhe dos espaços que sua pequena mão não davam conta de suprir. Parou e esperou, como alguém espera uma simples carta ser entregue em suas mãos pelo carteiro. Observou-a e viu, pelo reflexo de seus olhos brilhantes, algo mover-se em suas costas. Abaixou-se instintivamente, e escapou por pouco de uma garrafada, destinada à sua nuca, dada por um sem-nome desconhecido e veloz. Mal teve tempo de desviar-se do primeiro golpe, algo lhe golpeou fortemente o rosto, apagando, assim, seus sentidos. Nada mais viu, nem sentiu, aquele dia.





31 de março de 2009 às 10:14
Meu nome é Kenji, Harima Kenji.
XDDDDDDDD
continue que tá legal, embora continue super japonês >D
1 de abril de 2009 às 08:31
interessante, meio extremo, mas muito bem escrito...
continue assim!!!
1 de abril de 2009 às 12:50
"continue assim"
esses são os meus amigos >D
1 de abril de 2009 às 15:26
faltou um "Você brilhou" u_u
xD
Postar um comentário