Bom povo... Peço desculpas pelo tamanho e prováveis erros de português, uma vez que não revisei... Curtam a leitura e comentem, please ^^"
Certo dia, os seres humanos, intrigados com o mistério indecifrável da morte, decidiram procurar por ela, pois, logicamente, ela haveria de saber a resposta. Passaram anos a procurando, quando finalmente encontraram-na, escondida nos olhos de um bebê. Conseguiram convencê-la a lhes responder a uma pergunta, que foi a seguinte: "Ó Morte, fim de tudo e todos, temida e adorada, inevitável e fugaz, diga-nos, pois, qual é teu maior mistério?"
E assim deu-se a resposta: "Humanos, donos da perspicácia e inteligência, alcançaram, enfim, o auge do que vós mesmos chamais humanidade. Não mais passam fome, não mais sofrem de doenças, não sentem frio, não sofrem com o calor, controlam a tudo e a todos, desde que sejam racionais e submissos. Humanos, perguntam-me algo que respondo com facilidade. Meu mistério é simples, porém difícil de compreender. Fácil ter, porém impossível controlar. Pode ser aprazível tê-lo, do mesmo modo que amargo. Meu maior mistério é a Saudade que trago, e a resposta que buscam jaz junto dela."
Os Humanos ficaram intrigados com tal resposta. Esperavam qualquer coisa, menos que a Morte, Suprema e Inadiável desse como seu maior mistério um sentimento que julgavam ser apenas humano. Curiosos, procuraram a Saudade. Muitos outros anos foram necessários para encontrá-la, e muitos dos pesquisadores padeceram na busca, deixando seu legado a seus sucessores. Conseguiram, enfim, encontrá-la, vageando só em uma noite, ao lado de uma pequena gota de orvalho. Correram imediatamente até ela, que os ignorou até chegarem bem perto, e começarem a falar: "Ó Saudade, a quem tanto buscamos, dá-nos o prazer de ouvir uma simples resposta!"
Antes que continuassem, a Saudade virou-se e disse, numa voz de outros tempos: "Humanos que me buscam? Isso é no mínimo curioso. Tantos me temem, outros tantos me carregam com carinho, por que me buscar, se podem me encontrar em qualquer coração?"
"Buscamos tua fonte pura, ó Saudade. No coração, encontramos tua forma final, já moldada pelo ser que a possui." responderam-na os humanos. "Procuramos saber qual é teu mistério, uma vez que procuramos a Morte, e ela nos disse que saberias a resposta de tal pergunta."
"Humanos, pobres Humanos. Nada conseguem deixar desconhecidos. Descobriram as partículas, e não satisfeitos, partiram-nas em pedaços. Descobriram a Energia, e com ela se fazem de felizes. A resposta que buscam já teriam-na descoberto, se na ânsia de me procurar tivesse olhado ao lado. Meu mistério é complexo, bonito e triste, traz ódio e guerras, mas também revela a paz. É por ele que todos buscam ao nascer, e é por ele que muitos morrem, sem ao menos conhecer. Parente próximo, irmão gêmeo e cruel da dor, meu maior mistério, é o amor. Procura-o, e ele vos dirá, e para encurtar vossa procura, retorne à minha, e verás onde ele está."
Novamente, os humanos se intrigaram com a resposta. Será que estavam brincando com eles? Em sua arrogância, decidiram não acatar a dica da Saudade, e iniciaram a busca pelo amor. Procuraram no céu e nas estrelas, onde os poemas o acham, até a lua perguntaram, e ela nada sabia. Frustrados, voltaram à Terra, e ouviram uma linda voz ecoando de um dos pesquisadores. Recém-casado, com um filho a nascer, ele cantarolava baixinho, mas não na sua voz, e sim numa voz linda, sem adjetivos para descrevê-la. Rapidamente, perguntaram à voz, quem era, e heis a resposta: " Meu nome é Paixão. Habito nesse jovem, pois em seu filho virá um parente muito próximo a mim, o qual todos confundem comigo. O amado filho desse homem é o encarregado de trazer ao mundo novamente o Amor."
Imediatamente, os pesquisadores pegaram a mulher e seu filho, ainda em seu ventre, e levaram para um laboratório. Aguardaram ansiosamente o parto, e imediatamente após o mesmo, procuraram pelo Amor dentro da criança. Não o encontraram. Aflitos, procuraram na mãe e em seu esposo, o tão procurado Amor. Nada encontraram. Perguntaram à Paixão, que ainda habitava o homem, o que havia acontecido.
"Vocês, na ânsia de encontrá-lo, impediram que ele nascesse. A criança veio, mas o meu tão estimado irmão Amor não nasceu, pois vocês, humanos, não deixaram que ele tivesse sequer a chance de existir entre pai, mãe e filho. Agora é tarde, e ele não voltará nesse pequeno corpo, apesar de um resquício ainda existir. Deixem-nos a sós agora, pois não sei mais aonde meu irmão virá a nascer."
Os pesquisadores, decepcionados e arrasados, foram obrigados a procurar por mais anos a fio, e novamente ficaram velhos e a origem daquela busca veio até eles, obrigando-os a selecionar e treinar mais sucessores. E esses sucessores, já prevendo isso, treinaram mais sucessores, dobrando, assim, a equipe de pesquisa. Por mais meia vida procuraram, até encontrá-lo em um cemitério, perto de uma tumba antiga.
"Amor, ó Amor, por anos o buscamos, e agora o encontramos onde menos esperávamos. Responda-nos, por favor!" gritaram os já velhos pesquisadores.
"Responderei tuas perguntas da forma mais clara possível. Já me assassinaram uma vez, mas não guardo mágoas de vós. O que desejam, Humanos?"
"Então, antes de mais nada, nos diga, o que fazeis aqui, em um cemitério?"
"Nada faço, além de lamentar às vezes em que morri cedo demais."
"Entendemos, Amor, governador e senhor das nossas ações. Diga-nos, então, qual teu maior mistério?"
"Ó, quem me dera realmente governar vossas ações, Humanos. Mas isso não vem ao caso. Meu maior mistério é aquilo que vós, humanos, enfrentais ou fugis. É aquilo que os obriga a tomar decisões, as quais jamais teriam tomado se não fosse por ele. Meu maior mistério nada mais é que o próprio Medo."
Os pesquisadores agradeceram ao Amor e correram, para encontrar o medo. E rapidamente o encontraram. Ele habitava suas almas. E cada pesquisador se esforçou para trazê-lo para fora e perguntar-lhe: "Medo, dos pequenos e dos grandes, dos pobres e dos ricos, Senhor da cautela humana, responda-nos, por favor, a nossa pergunta. Qual é, Senhor Medo, teu maior mistério?"
Com uma voz estridente, áspera e cruel, o Medo respondeu: "Humanos, vós que sois belos forjadores de vontade, que me enfrentam e lutam contra mim assim como lutam contra vosso "destino", perguntam-me algo que respondo com facilidade absurda. Meu mistério é a Esperança, que me vence sempre que alguém a possui."
Novamente, arrebatados pela resposta, os Humanos empreenderam mais uma busca, dessa vez à Esperança. Pensaram que poderiam encontrá-la na alma, mesmo lugar do medo, mas não obtiveram o menor sucesso. Procuraram em igrejas, hospitais, clínicas, em todos os lugares onde a Esperança deveria ser abundante, mas nada encontraram, a não ser sentimentos como a Saudade e novamente o Medo. Um dia, exaustos e velhos, sentaram no topo de um morro para descansar, e um dos pesquisadores sonhou que encontrara a Esperança, vagueando pelo vento. Não fora um sonho, ali estava ela. Antes que ela fosse embora como um sonho, esse pesquisador gritou, a plenos pulmões, ali no alto desse morro: "Esperança, Esperança, tu que deverias habitar na alma e coração de todos nós, diga-nos, vos imploramos, teu maior mistério. Por todos os lugares a procuramos, e só aqui, quando já desistíamos, a encontramos, então, por favor, responda-nos!"
"Ó, Humanos, foram estúpidos ao me procurar na alma e no coração. Eu surjo de onde meu maior mistério me chama, por isso tenho que estar em um lugar de fácil acesso a tudo e a todos. Tolos Humanos, assim como meu maior mistério, a Coragem, habita onde todos podem vê-la, eu habito onde todos podem me sentir e me tocar."
E assim se foi, para não mais ser vista por nenhum dos pesquisadores. Novamente foram acometidos do mal, ou bem, não se sabe, da morte. Os sucessores destes, a quarta geração, ficaram encarregados de buscar a Coragem onde quer que ela estivesse. Uma tarefa por demais complicada, a seu ver. Porém, o bisneto de um dos pesquisadores lembrou-se de seu pai, que fora o que gritara à Esperança, e resolveu olhar em volta. Na luz, que passava entre as grades da janela do laboratório, viu uma forte e valente sombra. Eis que, então, a Coragem se mostrava. Caminhando lentamente até a janela, o pesquisador chamou a atenção dos demais e disse, lentamente: "Tu, que sois brava e bela, que faz homens enfrentarem tudo e todos, diga-nos, qual teu mistério?"
"Meu mistério? Agora vós, Humanos, desejais saber o meu mistério? Vós, que agora chegaste ao topo do que chamam evolução, buscam saber o mistério? Por que devo eu, contar? Nada me fizeste de bem, nunca me chamaram, apenas me buscam no momento de maior perigo e aperto."
"Coragem, ó Coragem que todos desejamos ter nas horas necessárias, ouça nosso apelo. Caso fossemos corajosos sempre, que utilidade teria a coragem nas horas de desespero? Buscamo-la, sim, apenas no aperto, pois tê-la em excesso não nos é aprazível, pois quando mais necessitássemos, assim como uma droga, deixaria de ter efeito. Perdoa nossos erros, e ajuda-nos a melhorar. Conta-nos teu mistério."
"Convenceu-me, Humano. Meu mistério é a Dor, que há muito domina e prevalece sobre mim. Nada mais falarei, mas sempre ajudá-los-ei, quando necessário, pois essa é minha função."
Nada mais sendo dito, sumiu, mas sempre permaneceu ao lado desse pesquisador, que mostrou tamanha coragem em frente à mesma, e deu-lhe forças sempre que necessário prosseguir. Em seguida, procuraram pela dor. Enquanto procuravam-na, nenhum pesquisador sequer sonhou em não encontrá-la. E assim foi. Tão rápido quanto encontraram o Medo, encontraram a Dor profundamente escondida em uma cicatriz de guerra de um velho soldado. Demoraram a retirá-la de lá, e quando conseguiram, ela imediatamente pôs-se a dormir. Demoraram alguns dias para acordá-la, e então perguntaram: "Dor, nociva e latente, esclareça-nos a dúvida que há anos nos persegue. Diga-nos qual teu maior mistério!"
"Mistério? Que maior mistério há, além da própria Vida? Ela, que nos cria e embala? Busquem-na, e perguntem a ela, e tudo saberão."
Animados, os pesquisadores procuraram. Por vários e vários anos, rondaram maternidades e rondaram cemitérios, procurando pelo seu início ou fim. Vagaram tanto que perderam o que procuravam, e a quinta geração assumiu. Nessa quinta geração, um jovem cientista, muito entusiasmado, lembrou de uma frase, ouvida há muitos e muitos anos por alguém dessa equipe, que era a seguinte: "A Vida, em sua forma mais pura, se encontra nas menores coisas."
Procuraram nos átomos, nas partículas menores que os átomos, quark, na energia em si, e nada encontraram. Resolveram abranger mais o olhar, e quando viram um minúsculo grão de poeira, ouviram e viram toda a vida ali, e a ele perguntaram: "Ó, Vida, tu que sois a bênção de todos nós, grande admirada e enormemente louvada por nós, diga-nos, enfim, qual é o teu maior mistério?"
"Humanos, minhas formas mais admiráveis, enfim, resolveram buscar vossa fonte? Nada sei vos responder, a não ser que Deus terá vossa resposta. Sei que há muito me procuram, mas sei melhor ainda que não me procuram por prazer. Levarei um de seus representantes ao meu criador, e lá ele terá a oportunidade de fazer-lhe a pergunta que quiser."
Elegeram então, um dos pesquisadores, que foi levado ante Deus, e repetiu-lhe a pergunta feita por seu Tataravô: "Deus, qual é o seu maior mistério?"
"Meu maior mistério? Heis a pergunta mais hipócrita que poderiam ter-me feito. Meu maior mistério, nada mais é do que VÓS, humanos, minha única criação que destrói seu próprio meio, que polui, que mata sem fome. Dizem ter alcançado o auge do que chamam civilização, mas ainda matam a si mesmo com drogas e remédios, guerreiam por coisas que eu havia dado em abundância, destroem o mundo que eu, com tanto carinho, criei e moldei. Sim, vocês agora sabem como não morrer, mas nunca aprenderam a viver. Vós, Humanos, destruístes as matas, que vos forneciam sombra e alimentos, além de milhares de outras coisas indiretamente. Vós, Humanos, destruístes os mares, que vos fornecia oxigênio e alimento, além de diversão. E vós, Humanos, destruístes a si mesmo, que seriam as únicas formas de vida que poderiam melhorar o meu mundo. Guerras sem sentido, assassinatos, fome, miséria de um sob a abundância de outro. O orgulho Humano não tem limites, e nada posso fazer quanto a isso, exceto esperar que a morte lhes trouxesse juízo, que a saudade os ensine, que o amor amacie vossos corações, que o medo vos impeça de destruir, que a esperança lhes traga um mundo novo, que a coragem vos guie nesse tempo, que a dor marque para sempre vossas memórias, para que a vida possa continuar a existir.
Encontraram a morte nos olhos de um bebê, pois ele a verá muitas e muitas vezes durante a sua vida. Encontraram a saudade ao lado de uma gota de orvalho, pois seria a última vez que um ser humano veria um orvalho. Encontraram a Paixão em um dos seus, pois o amor entre humanos não mais pode existir, e o encontraram em frente a um túmulo, pois ali ele mesmo jazia, junto ao último amante real da terra. Encontraram o medo em suas almas, pois há muito ele esse se tornara seu habitat natural. Encontraram a esperança ao vento, pois foi onde a jogaram, há muito. Encontraram a coragem na luz, pois ali ela pode tentar iluminar seus passos, convidando-os a dar um a mais. Encontraram a dor na cicatriz do velho combatente, pois é ali, que, após a guerra, a dor habitará sempre, lembrando a todos que a guerra existiu. E a vida foi encontrada no grão de poeira por que simplesmente, vocês, humanos, não tem mais a capacidade de apreciá-la e torná-la algo grande em seu dia a dia."





12 de abril de 2009 às 23:33
Fino
Curti mais o começo do que o meio e o final,
mas, fazer o que né?
:D
12 de abril de 2009 às 23:48
Muito bom mesmo!!!
Você escreve muito bem, Matheus. De verdade :)
14 de abril de 2009 às 08:34
a última linha é um pouco decepcionante, mas não com o texto ou o seu conteúdo... é que você foi convincente demais para que eu possa discordar do que você diz, e não tem como não sair pra baixo depois de ler isso
você me culpa de estar depressivo e faz igual, mas com uma magnificência muito maior
você cresceu; diz que não gosta de poesia, mas não tenho outro nome para tudo que li agora
o melhor conto que você já escreveu na sua vida, na minha opinião: simplesmente FANTÁSTICO.
14 de abril de 2009 às 09:25
Voltado a todo esse desespero você simples humano se esquceu de um de nós.....
sim, existe também a felicidade...
e ó deus, como pôde, além de lembrar fez com q lembracemos........
E esse, sim a felicidade é de todos o mais faciu a se achar...
Pois habita os detalhes, o tempo, e as crianças...
Mas não, não perca seu tempo perguntando seu misterio, pois ela em si já é seu maior misterio...
ao invéz disso, apenas a observe, de preferencia de loge, pois assim, perceberá que ela sempre esteve ao seu lado, mesmo que tentas-te ignora-la....
14 de abril de 2009 às 15:29
Não Pedro, jamais me esqueci da felicidade... Apenas a deixei de lado no texto porque, por mais fácil que pareça encontrá-la, são raras as vezes em que ela pode ser encontrada plenamente. O ser humano é ganancioso, e sempre quererá mais felicidade do que possui. Não considero essa ganância errada, mas ainda assim nos impede de conhecer a felicidade plena.
Não sou, como todos pensam, um pessimista, que não vê felicidade em coisas pequenas, pois com um simples aceno de mãos eu posso me sentir a pessoa mais feliz do mundo. Mas de que adianta se, em seguida, essa felicidade se esvai, como um balão murcha com o tempo?
Nunca a ignorei, contudo, sempre fui realista ao ponto de não crer que a tenho de forma completa, nem sequer que a terei. A felicidade plena, completa, só pode, em minha opinião, se encontrada após a morte. Já falei demais, não entrarei em detalhes aqui ^^"
14 de abril de 2009 às 20:39
nunca pensei que voce escrevesse tão bem
serio, estou impressionada
parabens matheus
15 de abril de 2009 às 14:30
eu não te falei que estava FODA? =)
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