cento e cinquenta e sete carros seguiram através da avenida
setenta e cinco transeuntes aguardaram o sinal ansiosamente, reumaticamente
dois mil e quinhentos quilos de fumaça foram expelidos pelos cento e cinquenta e sete carros que atravessaram o sinal no quilômetro seguinte
quatro ratos se deslocaram entre sarjetas e bancas de jornal, ávidos por alimento
mas três foram comidos por cachorros não necessariamente magros
o outro morreu atropelado
naquele prédio em frente ao sinal
quarenta e três alunos foram aprovados na disciplina estudo das religiões
trinta e cinco nunca pensaram realmente no assunto
onze já refletiram ou leram sem se prender a uma corrente
cinco destes foram reprovados
(ironicamente, sem louvor)
em meio a quase tudo uma nota triunfal se destaca
e a sirene inverte sua modulação para acompanhar o letreiro do monstro branco que a emite em resposta ao tempo que segue
vinte e três folhetos com descrições irrelevantes voaram das mãos não-tão-inocentes de um garoto e voaram pesadamente pelo ar, depositando-se levemente na calçada suja
a sexta garota reprovada se atira pela janela, deixando para trás um cachorro, uma tiavó meio surda, dois meio-namorados e um pianelétrico pifado
mas a rua ainda é cinzenta





16 de abril de 2009 às 13:03
que porcaria
17 de abril de 2009 às 11:28
não esperava que tu fosse faze um texto desse modelo... simplesmente me surpreendeu...
mas gostei do texto, apesar de discordar da matemática dos aprovados ali em cima ^^"
17 de abril de 2009 às 16:46
não é um texto, é um poema >D
19 de abril de 2009 às 10:56
texto = tudo aquilo que foi/será escrito xP
27 de abril de 2009 às 15:17
curti muito.... q isso
29 de abril de 2009 às 19:57
mandaram o blog pro nando? XD
que bom \o/
é sempre bom ler um comentário positivo de um amigo =)
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