Himahimasei

Cadeia de raciocínio

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Definitivamente não é a coisa mais coerente nem a coisa mais positiva que já escrevi... mas vai ver que faz sentido pra alguém além de mim XD
I/Fatos/Prelúdio

Naquele dia

o carro correu
o telefone atendeu
o vento ventou
o mendigo mendigou

o cheiro cheirou
e o fedor fedeu
o tempo andou
o tempo não parou

o cigarro fumou
o velho morreu
o poeta rimou
o barco remou

o vento ventou (novamente)
o mar sacudiu
o barco remou (novamente)
e o mundo girou

mas eu ainda estou aqui.

II/Fictio

pois o mundo não para
nem o tempo perdoa
nem o tempo ampara
ao menos não me perdoou

a pomba voou
pelas ruas de londres
atemorizada pelo mundo ranzinza
acostumada com o cinza

a pomba sou eu, a cidade também
porque estou cinza, confesso, tão cinza
como se todo o medo fosse assim, contínuo
e nunca te matasse, de tão blasé

III/Infecto/Interlúdio

o vento não para (nunca parou)
e as paredes não te salvam
pelo contrário: te condenam
como uma criança e um nazista dentro de um cubículo escuro

o nazista clama por ordem
e a criança se desespera
o nazista se excita, e grita
e a cena toda continua ventando

venta, venta, lentamente
na cidade incoerente
vamos calando com o vento
nossas correntes de pensamento

estou tão podre e cinzento
que o mundo todo cheira a peixe
que infecto (infictio) o que toco
e só enxergo um gigantesco monocromo

IV/Efígie/Poslúdio

silêncio.
1 comentários:

cara... só consigo ver desespero nesse poema ^^"

gostei, mas me senti claustrofóbico...


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