I/Fatos/Prelúdio
Definitivamente não é a coisa mais coerente nem a coisa mais positiva que já escrevi... mas vai ver que faz sentido pra alguém além de mim XD
Naquele dia
o carro correu
o telefone atendeu
o vento ventou
o mendigo mendigou
o cheiro cheirou
e o fedor fedeu
o tempo andou
o tempo não parou
o cigarro fumou
o velho morreu
o poeta rimou
o barco remou
o vento ventou (novamente)
o mar sacudiu
o barco remou (novamente)
e o mundo girou
mas eu ainda estou aqui.
II/Fictio
pois o mundo não para
nem o tempo perdoa
nem o tempo ampara
ao menos não me perdoou
a pomba voou
pelas ruas de londres
atemorizada pelo mundo ranzinza
acostumada com o cinza
a pomba sou eu, a cidade também
porque estou cinza, confesso, tão cinza
como se todo o medo fosse assim, contínuo
e nunca te matasse, de tão blasé
III/Infecto/Interlúdio
o vento não para (nunca parou)
e as paredes não te salvam
pelo contrário: te condenam
como uma criança e um nazista dentro de um cubículo escuro
o nazista clama por ordem
e a criança se desespera
o nazista se excita, e grita
e a cena toda continua ventando
venta, venta, lentamente
na cidade incoerente
vamos calando com o vento
nossas correntes de pensamento
estou tão podre e cinzento
que o mundo todo cheira a peixe
que infecto (infictio) o que toco
e só enxergo um gigantesco monocromo
IV/Efígie/Poslúdio
silêncio.






21 de maio de 2009 às 19:21
cara... só consigo ver desespero nesse poema ^^"
gostei, mas me senti claustrofóbico...
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