Himahimasei

História sem título para um desespero sem motivos...

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Mergulhava, pois, mais uma vez no serviço. Não sabia mais o que poderia fazer para tirá-la da cabeça. Durante muito tempo, tentara com todas as forças, superar o suposto "Deus" a quem ela deveria pertencer, mas o mais próximo que conseguira fora um pôr-do-sol manchado de suas próprias lágrimas entre sorrisos malcriados de sua alma.

 

A lua, antigamente sua parceira de compaixão e paixões, tornara-se pálida e disforme, dolorida, doentia e má, relembrando a cada segundo, seus ápices, ocorridos num intervalo de tempo tão pequeno. Num segundo, era o astronauta mais distante da superfície terrestre. No outro, era um quark, perdido na infinidade do núcleo. Ao observar aquele pôr-do-sol da janela, via-o entre duas montanhas e pensava que, quando ele tocasse o solo, suas esperanças desvaneceriam junto. Estava enganado. Pensou ainda que, quando a lua se tornasse sombra, ele perderia as esperanças e buscaria novas praias para pescar. Falhou completamente nessa busca, perdido no pântano que ela se tornara em seu peito.

 

"Pobre coitado, ó, pobre coitado, ainda tentas esquecê-la?" - disse-lhe o vento, brincalhão em seus ouvidos. "Pois esqueça tal tarefa, e um dia, conseguirás."

 

Não... Não conseguira...

 

"Pobre otário, ó, pobre otário, ainda lutando contra seus sentimentos?" - disse-lhe o oceano, volúvel e instável. "Esqueça, pois a luta está perdida, assim como eu, que perco diariamente a luta para ter minha amada em meus braços, e o máximo que consigo é espelhar a beleza dela."

 

Sim, ele sabia disso.

 

"Pobre amado, ó, pobre amado, ainda te fechas ao contato alheio?" - disse-lhe a terra, com sua sabedoria seca e dura. "Isso de nada adiantará, se tu continuar crendo que isso o fará esquecer. O contato alheio só vos lembrará dela, cada vez mais."

 

Sim, ele também acreditava nisso.

 

"Pobre amigo, ó, pobre amigo, ainda te faço sofrer com minhas escolhas?" - disse-lhe seu próprio coração, manchado e machucado, ferido e dilacerado. "Peço-lhe as mais sinceras desculpas, meu amigo, pois sempre que o faço, é crendo em teu bem. Continua crendo em mim, e um dia provar-lhe-ei que existe."

 

Poderia ele, perdoar seus sofrimentos?

 

"Pobre soldado, ó, pobre soldado, lutas por mim como lutas por seus amigos?" - disse-lhe o amor, cheio de carícias. "Continua, pois, lutando, e prometo-lhe, encontrarás alguém que me tenha em muito mais valia por ti do que tu me terás por ela, mas nem por isso, serão infelizes."

 

Já não teria ele, encontrado e perdido?

 

Não sabia mais. Ele, que sempre se sentira um lutador, sem ela, desistia. Afogava-se em suas próprias lágrimas, em suas próprias dores.

 

"Pobre afilhado, ó pobre afilhado, de quem quis cuidar como se fosse vossa mãe, levanta-te" - disse-lhe a lua, murcha em seu trajeto. "Tens força para lutar, tens força para reagir. Crê em ti, e conseguirás."

 

"Não, madrinha, não mais. Minhas forças somem, assim como minha vontade de lutar por ela. Aceitaria, de bom grado, sentar-me e ver, ao longo, suas costas eretas, a caminhar pelos tijolos que colocaria com gosto em seu caminho, para que nunca mais tropeçasse."

 

"Ó afilhado, levanta-te. Nunca sonhei ter afilhado tão fraco. Bem sabes que não posso andar junto a meu amado, mas nem por isso deixo de me levantar todas as noites, mesmo que cansada e pálida como hoje. Não digo para lutares pela mesma pessoa, digo para lutar por seus objetivos. Levanta-te homem, e trata de batalhar por seu coração, que muito lhe quer bem."

 

Assim, ele perdeu todo o medo que tinha, e seguiu em frente. Ainda amando-a, e cometendo erros cada vez mais graves. Até que um dia, não aguentou e suicidou-se, em uma noite de lua cheia, pulando ao mar com pedras amarradas aos pés, e um corte em seu peito, onde seu coração deveria estar. Os legistas encontraram apenas seu corpo, sem marca nenhuma de agressão, apenas um espaço onde deveria estar seu coração, encontrando lá, apenas, algo murcho, enegrecido e doente.

3 comentários:

e depois eu que sou o depressivo =__________=

precisamos conversar; e mudar algumas coisas, não só você '-'


Eita... quanta lamúria (como de praxe, mais um comentário dispensável... -___-'). O que achei estranho, apesar de ter achado o conto bom, foi o fato de que enquanto lia-o, esse não conseguia prender minha atenção.

Enquanto refletia sobre tal conto, perguntava-me o porque de tamanha introspecção que nos acomete e o que seria de nos se fôssemos britânicos... hauehuHUAE se num clima subtropical [de altitude (aff, pra quê isso?!)] essa lamúria é uma constante (poderia ser pelo fato de sermos provenientes da "década perdida"?... não, acho que não).

Negócio é o Diogo (enrolado) "descolar" a festinha lá, na qual brindaremos a nossa anormalidade (vide post no qual o mesmo conclama os supostos intelectuais).


demorô :D

se eu fizer a festinha vocês vão vestidos teddy boys? :DDDDD


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