Estranho como ler algo antigo seu pode causar tanta comoção e tanto ódio de si mesmo... Hoje eu tenho a solução perfeita para o problema desse personagem, e tenho como continuar, o que farei com outra formatação, para que possam entender...Um simples "Adeus", foi a última palavra saída daquela boca, tão amada, tão desejada, e já, tão saudosa a ele. Um tumor levara sua amada, e agora só ele estava, não mais sabendo o que fazer, para onde ir ou a quem recorrer para chorar as amargas lágrimas da paixão. Saía do hospital sem sequer olhar seu caminho, queria apenas desaparecer junto às cinzas de sua grande cidade, que há algum tempo era-lhe salvação, e agora, era-lhe morte. Encarava os cinzentos prédios, com um olhar vago e sinistramente opaco. Do rosto jovem, poucos fios de barba apontavam-lhe, indicando as longas horas de vigília. Seu amor se fora, e agora, tudo que ele poderia fazer era prosseguir, continuar vivendo. Seus amigos, sua família, nada mais lhe importava, apenas a morte de sua amada. Sentou-se ao meio fio, frio e úmido do orvalho matinal, e perdeu-se nas horas. Pessoas passavam e olhavam, algumas com tristeza, outras com desprezo, outras ainda com medo. Sua aparência era de quem há muito perdera a vontade de viver e abandonara a terra em espírito, deixando para trás apenas a fina casca. Ali ele ficou, até que um pensamento lhe ocorreu. Seu pai possuía uma arma no porão, junto com o material de pesca. Ele podia se reencontrar com sua amada. Correu para casa, vívido novamente, lívido por saber que poderia ir se juntar à sua querida novamente, e nada o impediria de fazê-lo. Abriu a porta com um pontapé e correu imediatamente ao porão, dando pouca importância a seus amigos e parentes que lhe aguardavam no hall de entrada. Um desses tentou impedi-lo, e foi bruscamente impedido por um empurrão. Nada nem ninguém o impediria. Aproveitando-se da distração causada pela queda de seu obstáculo, entrou no porão e encontrou a arma de seu pai. Era uma pistola, pronta para ser usada, assim que ele colocasse a doce bala no cano e puxasse o apaixonante gatilho. Encontrou-a dentro de uma das caixas de pesca e prontamente a encaixou no tambor, puxando o cão. Era o fim, estava feito. Sua amada o esperava do outro lado do rio Styx, acenando-lhe. Antes que pudesse se regojizar, sua amada desaparecera. Seus olhos ainda fechados, ainda sentia o chão sob seus pés, a dor em seu coração. A arma falhara em atirar. Sua morte não acontecera.
"Desesperado, ajoelhou-se e pôs-se a chorar. Seu pai chegou e tão rápido quanto ele entrara, retirara sua arma da mão do filho ensandecido e o abraçava ternamente. Lentamente, cada um de seus amigos entrara no pequeno porão, e o abraçava, aglomerando-se ao seu redor. Por último, veio sua mãe. Um tapa bem dado em seu rosto, uma lágrima solitária, e um abraço, profundo, reconfortante.
Durante algum tempo permaneceram ali, parados naquele porão úmido e triste, simplesmente remoendo a falta de uma pessoa vital. Levantaram-se e o guiaram até seu quarto, onde ele deitou e dormiu, exausto. Acordou no meio da noite, sufocado com suas lágrimas e suas lembranças. Chorou silenciosamente durante o resto da noite, desesperado, novamente, uma casca vazia do que um dia fora um jovem enérgico e feliz. Na manhã seguinte, todos ainda o aguardavam para o velório. Ele se arrumou e foi, amaldiçoando cada milha do caminho, usando cada segundo para se lembrar de sua amada e dos momentos passados juntos. Lembrou-se da alegria que ela tinha, do tanto que ela conseguia o contagiar com palavras e gestos de pura bondade, enquanto ele, amargurado com sua própria vida, aprendia novos significados para velhos hábitos, novas frases com velhas palavras.
Em meio a esses devaneios, sentiu um alívio no coração, ao passar em frente a um mendigo, sorridente. Conseguiu imaginar por que o mendigo sorria. Era por que possuía a vida, coisa que sua namorada não mais tinha. Apesar da vida dele ser horrível, ele, como sua namorada, conseguia sorrir e tentar mudar tudo. Para isso, bastava estar vivo.
Hoje, esse jovem é co-fundador da ONG CVV, e um de seus atendentes mais sucedidos, tendo conseguido atrair diversos jovens para o seu lado. Foi convidado por diversas entidades filantrópicas de apoio à vida de necessitados a palestrar, e, ainda hoje, guarda na memória a visão daquele velho mendigo, que morreu no inverno daquele ano, de hipotermia, debaixo de um velho viaduto. Quando encontraram seu corpo, seu rosto estava enrijecido, e ostentava uma expressão de dor. Outros mendigos disseram que ele só morrera daquele jeito por que abandonara a própria casa, em desespero, após perder um ente querido..."
Não gostei do texto, mas... Tá aí mais um dos meus textos estranhos e inúteis ^^"





17 de junho de 2009 às 22:24
Ri muito, mas muito mesmo, quando li a parte da ONG. Putz, que quebra de clima UEIAUEJHIUAHEIUHAE
e depois, por outro lado, o final foda do mendigo .-.
Você parece sempre linear, parece sempre quase óbvio, mas me arranca, no final, da comodidade de uma leitura sem surpresas =)
18 de junho de 2009 às 09:41
É... isso, sem dúvida, foi uma cisão abrupta... ahuehuHUHEAU e foi eu, todo idiota, perguntar ao uruchas a respeito disso, por justamente não ter entedido po*** nenhuma...
No mais, isso fez com que a linearidade e o convencional fossem dilacerados, o que é muito bom (hauehUHUEH "o que é muito bom" foi BASTANTE FRÍVOLO!) xD
Gostei do conto...
18 de junho de 2009 às 13:05
"É... isso, sem dúvida, foi uma cisão abrupta... ahuehuHUHEAU e foi eu, todo idiota, perguntar ao uruchas a respeito disso, por justamente não ter entedido po*** nenhuma...
No mais, isso fez com que a linearidade e o convencional fossem dilacerados, o que é muito bom (hauehUHUEH "o que é muito bom" foi BASTANTE FRÍVOLO!) xD
Gostei do conto..." (Marcel)
Você quis dizer: VOCÊ BRILHOU. 2 principais resultados mostrados.
18 de junho de 2009 às 13:52
[quote]Você quis dizer: VOCÊ BRILHOU. 2 principais resultados mostrados.[/quote]
MAIS? xDD
cara, eu mesmo ri na parte da ONG, pq se eu deixasse terminar de outro jeito não teria coragem de postar...
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