Espectadores irrisórios
No terraço
destituído de teto
observo sua ausência
incomensurável...
Ausência que preenche
por completo este campo
de visão infinitesimal
e afoga vários mundos
que se constituem
num só...
É o intervalo
de folga das máquinas
Do lado de fora
alguém esqueceu
de desligar
os interruptores...
Cá embaixo
há claridade,
artificial...
Mesmo na escuridão
é possível ter luz...
(Cobrada na taxa
de iluminação pública)
Do lado de dentro
ou mais externamente...
Alguém brinca de ótica
com os filhos da Celeste
Eles adoram física quântica
e podem fazê-lo por toda
eternidade...
E os ponteiros
despedidos...
sabem que conjuração
é o mesmo que anatematização.
Nesta noite
de ventos amistosos
e de ausência do Chronos
aproveitar a brincadeira Deles
é mesmo um deleite
uma dádiva divina...
Se por esta noite
os artificiais fossem passear,
a lua nos concederia
uma verdadeira luz...
Luz que remediaria
esta letargia...
outorgada pela
belicoso Chronos.





20 de fevereiro de 2010 às 23:03
Tempo, Luz, Passado... Simplesmente tocante, carissimo...
22 de fevereiro de 2010 às 01:22
é engraçado como as palavras de um poema desenham as ilustrações de nossa imaginação. Neste caso a coisa do espectador nos coloca em uma visão privilegiada, a simplicidade da observação é de fato algo mágico.
Lindo poema!
Abração!!!
23 de fevereiro de 2010 às 19:34
Simplesmente incrível, principalmente o fato de um poema ilustrar tão magestosamente um sentimento que julgo abstrato no caso. Incrível também como melhora a cada poema (embora traga certa consternação pelo tom melancólico em suas obras recentes)
Continue melhorando! ^^
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