“Você tem que estar preparado para se queimar em sua própria chama: como se renovar sem primeiro se tornar cinzas?”
Julgo, dos velhos cinéreos
num futuro meu próprio rosto
esculpido e talhado
com faca, espátula e fragmentos de-
(a)cepção
jogo com os velhos cinéreos
os velhos jogos de faz de conta
fiz de conta que não te vi
e rimei com a ânsia do porvir
rima pobre, superficial
julgo, dos monumentos de pedra
não há crime que tenha reparação
não há pedra que chore sem pó
ergui minha ponte
porque cruzastes?
o jogo dos munumentos de pedra
vívido em seus movimentos rígidos
é o mesmo que jogo em meu quarto:
simples e sujo, yet inextrincável
que fim levaram minhas peças livres?
julgo da carne e do pão
que a fome é sincera
e o frio não se afeta pelo olhar
não vejo os limites do campo
e o mundo me parece tão estrutural
jugo da carne
de preito inefável:
comeram-me as palavras
mas restam as pedras
a faca, a espátula
e gritos ao fundo do som do silêncio.





10 de abril de 2010 às 21:18
Cara! Que coisa linda... fiquei até sem palavras. E a frase inicial é simplesmente brilhante! “Você tem que estar preparado para se queimar em sua própria chama: como ser renovar sem primeiro se tornar cinzas?” Vom me lembrar disso!!!
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