Himahimasei

Os pingos e o veio

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"Phlebas, o Fenício, morto há quinze dias,
Esqueceu-se do grito das gaivotas, do marulho profundo
E os lucros e as perdas
Uma corrente submarina
Roeu-lhe os ossos aos sussurros. Enquanto ascendeu e caiu
Passou pelas cenas da velhice e juventude
E adentrou o redemoinho.
Gentio ou judeu
Ó tu que giras o leme e avistas o rumo do vento
Considera Phlebas, que foi antes belo e alto como tu."

Tradução pessoal de "Morte pela água", trecho de "A Terra Devastada", de T.S. Eliot


Caíram ali da calha os pingos da chuva
viscosos e lodosos e frios e sei-lá-mais-o-quê
os mesmos velhos pingos (que se renovam)

a neve de meu país tropical
molhada e lodosa e sei-lá-mais-o-quê
já não me mantém no quarto

e, não sei por quê, decido sair às ruas
em busca do choro que se renova
em busca do consumo que se consome

-

busquei alento no canto - veio apoético
mas foi-se embora
e levou a lírica em prestações de humanidade

foi-se, sim, embora
conquanto chegasse a tempestade que não chega
april is the cruellest month

-

agora, enquanto espero nos umbrais
remoendo os marcos e prepassos
bebo a água que escorre pelas paredes:

respingo de decência
violado, decadente
nesta chuva de verão.


Não, não falo da morte e do tempo como Eliot, muito menos quero qualquer comparação; sinto, porém, a vergasta que esse encarna e escarnifica, enquanto fico a ver a chuva - motivo e mote real do poema.
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faLLen

Este é o mistério do quociente:
sobre todos nós, um pouco de chuva tem que cair - só um pouco de chuva.

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Marcel

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