
Na calada da noite
com o peito arrastando
pelas estepes gélidas
e capins a azucrinar
os olhos e a boca
que lateja na expectativa
esmagadora que sucede
A lua inchada e exaltada
é um invite ao romantismo
que nestes campos regado
a sangue e ódio
germina auspiciosamente...
e no seu bojo a
expectativa de novos ares
Arrastado para esta conjura
por motivos banais
que condizem com cousa alguma
e muito menos qualquer outra
paixão platônica
e sim a necessidade
de destroçar esta
vigência vil e vexatória.
Cá em meio ao campo
estou, de armas em mãos
e pungências dependuradas
na roupa e na mente.
As ordens foram
de acabar com
a velha ordem
e seu significado...
Não importando
que aqueles que
ordenam são os mesmos
que suportavam toda
a estrutura, agora
aos olhares atentos,
prostituída.
E agora...
Em meio a cadáveres
e aço e lama podre
um pensamento inobediente
emerge em meio a toda
lavagem cerebral
e me faz hesitar...
Qual o significado
disto tudo, porque...
estraçalhar rivais
e seguir maquinalmente
as ordens na vil expectativa
de reconhecimento.
Angariar após
acre horas de reclusão
algum desconhecimento.
Tudo a passar e nós
aqui a lutar...
E quem diria que
nem somos canibais...
talvez pela doutrina(ção).
Poema estranho... feito num desvario que me remeteu à guerra e ao paralelo da vigência conflituosa que é inerente àqueles que ainda são marginais de alguma maneira.
Está pronto há bastante tempo, mas como me chamo Marcel... não entendo porque dessa demora, talvez por achar puerilmente que mais "curtido" ficaria melhor.
E começo a pensar na possibilidade de postar glossário para catalisar e/ou mostrar qual foi minha intenção ao escrever os poemas... acho interessante isso, apesar de achar muito mais quando me apresentam um ponto de vista que nem de longe passou pela minha cabeça.
---------------- Now playing: Dale Cooper Quartet & the Dictaphones - Ta Grenier





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