Aguarda filho meu, não chora
Trarei teu sono em doces palavras
A voz acalma, mas não dê-se conta
Até deixar a terna infância, da ameaça velada
Mas espero que sinta na alma
Se não dormires agora
Vou-me embora
A escuridão te abraça
É bom fechar os olhos
Se não quer perdê-los
Eu e seu pai não estaremos
A te acalentar pelo resto da noite
Então tomes cuidado e dormes agora
Facilito teu sono enquanto não fui
Embora com cuidado lhe aviso
Seja bom filho, não deixes a cama
O escuro da noite nada protege
E espero com o coração doendo
que pelo menos o sono lhe poupe
Dos males que se esgueiram pela noite
Do boi a cara preta na sombra esconde
Lhe conto isso mas não tenha medo
Minha voz é doce e encanta
E espero que não dê-se conta
Até que da infância não reste nada.
Eis o primeiro poema que a Carol, moça simpática e bastante tranquila, mandou-me após investidas minhas querendo seus textos para, antes de tudo, ler e então se possível (mediante autorização da mesma) publicar por aqui. Como os outros textos que já li de sua autoria, este também me surpreendeu bastante pela qualidade elevada e zelo na escrita, qualidades presentes em su escrita. Então, a idéia é fazê-la mandar-me mais afim de que possa compartilhá-los com todos, mesmo porque esta vertigem (dissimulada) pela qual o site passa é, no mínimo, chata e nada auspiciosa; então, com algum egoísmo visível, seria bom o incremento de algum estímulo para que pudéssemos ter postagens mais frequentes...
E o video/música é resultado de uma similitude que julguei pertinente entre o poema e a letra da música (além da atmosfera da mesma). Espero que gostem!





8 de setembro de 2011 às 22:34
lindo poema, delicado e triste, e com tanta realidade! a infancia passa depressa, criança, e agora dorme...
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