... Com meu corpo protegi-a das pedras que caíam. Com minhas mãos ao lado de sua cabeça e meu corpo sobre o dela, sentia o impacto das pedras em minhas costas. Seus olhos, marejados de lágrimas, fitavam os meus com dor e medo. Suponho que a dor da perda lhe fosse a mais forte no momento.
Com um forte impacto, a pele sobre meu olho direito rompeu-se, e o frio sangue desceu em um grosso filete que se dividiu em dois, seguindo um para a ponta de meu nariz, enquanto outro invadia minha boca e atacava meu paladar com um adorável e férreo sabor. Com os olhos embaçados, acompanhei o outro filete formar uma gota, que pelas forças do mundo, caiu. E enquanto caia, a lucidez se esvaía à medida que a pequena gota seguia seu caminho e caía suavemente em seu rosto. Ao toque do sangue em sua pele, perdi completamente os sentidos.
Vozes me chamavam de um lugar que parecia ser outro mundo, convidando-me a viver com eles. Renegando essa possibilidade, abri os olhos lentamente, para ver que era ela que me chamava, com grandes lágrimas nos olhos. Durante o desmaio, pude perceber, não cedera minha posição, mantendo as rochas onde estavam, deixando-a segura por todo tempo.
"Por quê?" Veio sua chorosa pergunta. "Por que se arrisca dessa maneira apenas para proteger a amada de alguém que só lhe antagoniza e critica?"
"Não protejo a amada dele, mas sim a pessoa mais importante para mim. E mesmo que não o fosse, protejo uma amiga de grande estima." Mais lágrimas correram por sua face enquanto gentilmente passava os braços pelo meu pescoço ferido e suavemente tocava seus lábios nos meus, selando assim nossa vontade.
"Quem me dera ter essa força que tens para proteger as pessoas que ama. Caso a tivesse, nunca teria se ferido tanto quanto se feriu! Porém, já é tarde para evitar suas cicatrizes."
"É tarde para evitar as cicatrizes, mas ainda é possível evitar outras. Além do mais, foi por causa dessas cicatrizes que eu pude te proteger." Ao pronunciar a última palavra, novamente entrei na profunda escuridão e perdi os sentidos.
Um som contínuo e incessante me incomodava. O que diabos seria aquele "bip" compassado e constante? Onde eu estava? Subitamente abri os olhos e saltei da cama na qual estivera deitado. O que acontecera a ela? Onde ela estava? Aterrorizado, corri os olhos pelo quarto e encontrei-a, dormindo em uma cadeira ao lado de minha cama. Meus pais ali estavam também, dormindo no sofá. Seus cabelos cobriam-lhe sutilmente o rosto, deixando-a estupendamente maravilhosa e misteriosa. Subitamente, um alarme sobressaltou a todos. Com o salto, eu arrancara alguns dos equipamentos que me monitoravam, ativando seu alarme. Um tropel de passos no corredor. Olho para ela, levantando-se. A porta se abre. Com um novo sobressalto, acordo minha esposa, que me sacode e pergunta o que se passa, o que está acontecendo.
"Lembranças" Respondo. "Apenas lembranças"
"Volte a dormir meu amor." disse ela, acariciando a fina cicatriz sobre meu olho direito.





23 de março de 2009 às 21:36
oh, meu deus, minhas asas XD
uehiaejiuaheiuaeh
23 de março de 2009 às 21:37
sim, esse texto foi escrito no auge do período xD
1 de abril de 2009 às 13:54
eita... como de praxe sou só um espectador marginal... no entanto, devo dizer que... nem sei o que dizer hauehuHUE apenas parabenizá-la pelo excelente conto.
o/~~
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