Himahimasei

Sakura Stem

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Com um ramalhete de cerejeiras em mãos, seguiu o longo trajeto à casa destinada, enquanto folhas caíam-lhe pelos braços pelo tremor de suas mãos, enquanto suas pernas derretiam-se em puro pânico. Entorpecido e agitado, ainda seguia, resoluto, pronto para tudo que lhe acometesse, pronto para segurar as amargas lágrimas que esperava ter aos olhos, e ainda assim seguia em frente. Sombras alternavam-se com luz, cegando-o momentaneamente por diversas e diversas vezes. O ramalhete, antes vistoso, agora era simplesmente madeira, ele então o atirou ao bolso, para depois jogar fora. Ao colocá-lo lá, sentiu toda a coragem esvair-se pelos poros, pois chegara ao destino. Estivera tão preocupado pensando em o que fazer quando chegar que sequer notou que já chegara, e que estava parado ao alpendre, completamente paralisado, com medo de tocar a campainha e ouvi-la vir abrir a porta, sorridente, calma, serena, indiferente.

 Pronto para dar meia-volta e engolir a amarga derrota, sentiu-se completamente só, desesperado, triste, mas mesmo assim, começou a descer a pequena sacada defronte. Num último suspiro, abandonou toda e qualquer esperança e seguiu o longo e sôfrego caminho de volta. Amargaria tal momento para toda a vida, e sabia disso. Sabia também que era sua última chance de tentar alguma coisa e a jogara fora, junto com o pedaço de galho de cerejeira. O galho! Onde estaria? Teria caído no alpendre? Correndo como se sua vida dependesse disso, retornou ao alpendre branco manchado pelo tempo, procurando o galho de cerejeira que uma vez fora tão vistoso. Não o encontrou em canto algum, procurou-o no caminho que viera e no qual retornara, e nem sinal do pequeno ex-ramalhete. Completamente derrotado pelas mãos do cruel destino, novamente recomeçou a jornada ao ponto de partida, deixando amargas lágrimas correr-lhe pelo rosto, pensando onde aquele pequeno galho poderia estar e pranteando sua perda, pois ele significava ao menos sua tentativa.

Chegando à sua casa, pranteou ainda mais durante a noite, por tudo e por todos os seus erros, por seu atroz destino, por sua cruel sina. Assistiu, indiferente, ao alvorecer, sequer reparando em sua beleza suprema. Levantou-se e se preparou para sair, pronto para encontrar e sorrir àquela a quem teria entregado o ramalhete, agora perdido na imensidão. Sorriria, mas sabendo que perdera a única chance de tentar sorrir verdadeiramente ao seu lado. Saiu de casa, ainda sentindo-se derrotado e humilhado por sua própria falta de coragem, e ensaiou sorrisos e diálogos para fingir-se, mais uma vez, de pessoa alegre e feliz, completamente livre de problemas passíveis de preocupação. Sabia que se detestaria por mentir, mas nem por isso conseguia deixar de sê-lo.

Encontrou-a, no lugar de sempre, sob a abóbada folhada de uma um lindo salgueiro, admirando serenamente suas próprias mãos, que encobriam algo indefinido. Com um grande e falso sorriso, aproximou-se por trás e preparou um grande “Bom Dia” para animá-la quando viu, repousando entre suas mãos, deitado sobre seus joelhos, um pequeno ramo, completamente desfolhado, do que um dia fora um galho de cerejeira. Imediatamente seu sorriso desapareceu, como que tivesse sido apagado de seu rosto. Ouvia-a sussurrar, entre os sons de outros estudantes que passavam palavras de dúvida e apego, carregadas de carinho. Perguntava-se por que a campainha não fora tocada, por que sequer uma batida na porta, ou ao menos um telefonema, por que ele se daria ao trabalho de ir até sua casa e não lhe entregar algo que esperava há meses. Perguntava-se, acima de tudo, por que ela mesma não abrira a porta e tomara-lhe aquele ramo das mãos, uma vez que o aguardava ansiosamente atrás da mesma, esperando apenas um toque, uma batida, uma ligação...

2 comentários:

isso me lembra de uma coisa, espera, duas, espera, muitas XD

curti


ah, já ia me esquecendo do que ia comentar... dizia o Pierre Bourdieu, a verdadeira arte só é sentida pela contemplação, intangível e afastada do eu, dos sentimentos e tal; é bom ver provas de que ele olhava as coisas com uma cara muito fechada, e provas nas pequenas coisas, como esse conto =)


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