- Lá fora a chuva cai
- nesta madrugada inesperada
- de ceus etéreos
- e cor de cobre
- O silêncio tenta
- impor seu comando
- insetos e fontes oscilantes
- alimentadas por hidrelétricas
- contestam tal tentativa
- E aqui, dentro desta
- alvenaria modesta
- contemplo tal litígio
- despercebido e calado
- Ao lado
- janelas semicerradas
- permitem o ingresso
- de amistosas brisas
- E ao som da
- gravidade pluvial
- alegro-me sem maiores
- porquês
- ainda que as pálpebras
- sedentas por trabalho
- tentem cerrar
- esta conexão
- E por falar em ótica
- neste espelho imanente
- vejo versos do passado
- e lágrimas denotativas
- eclodem para borrar
- este sentimento egoísta
- também tido por orgulho
- que me acomete
- E aqui, a pueril ânsia
- que advém dos olhares
- exteriores, esvaece
- junto com a poeira
- que a chuva acalma
- até o regressar
- da normalidade
- estelar
- Muitas coisas acontecem
- e algumas amarguras
- são diluídas após
- reagentes externos
- (re-)elucidarem
- o caráter particular;
- ainda que sejámos
- amontoados de complexos
- orgânicos
Marcel
Não importa o destino, desde que o enfrentemos com o máximo de abandono...

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