Himahimasei

Sagas de Caeté... #3

Confraternização Universal
e um
Alheamento Imanente







Em casa de amigos
o despertar do novo ciclo
promove tal congregação
que a mim tal descrição
só é válida a inaudição


Tentar descrever
tais conquistas que
no dicionário surge
sob o vernáculo da
amizade


É o submergir
na dócil entropia
que promove tal
consternação zelosa;
Cuidados em demasia
na pueril tentativa
de cristalizar
sentimentos...




Com o descanso solar
o norte esvaece sob
as volumosas nuvens
cinzentas que
outorgam a introspecção;
e a aurora dos musgos
se dá sob as encharcadas
paredes que reclusa
e acalentam os mosaicos
amorfos e sui generis
tidos por pessoas




Nesse hiato singular
em tal vigência compartilhada
com os inestimáveis,
as adversidades diversas
que também incluem as climáticas
são desdenhadas e esquecidas,
sendo vez ou outra
recordadas pelo uso
necessário de roupas
mais acobertadoras




Nessa altivez
vislumbro o berço
de minha mãe;
sua cidade e todas
as contingências desacertadas
pelas quais a cidade desandou
desde o despertar de minha
pueril racionalidade.






Das janelas amistosas
e acolhedoras da casa
de meu bom amigo
contemplo as nuvens passageiras
que me trazem à mente
alguns amigos que
desgarraram-se e
outros que por motivos
libidinosos--
fazem falta também.




Das mesmas janelas
cerrada a digressão
da estrofe anterior,
vislumbro do alto
as residências intemperizadas
dos passageiros que agora
não há distinção
de geração.
Além-Matriz, palco
da tradição e ação temporal,
a cidade vigora morosamente
neste dia intemperizado.


Não obsta porém
que meus olhos,
esses formadores
sejam incapazes
do diálogo total
que traduziria
as impressões
deste egoísta
que pretensamente
se marginaliza
em meio à convenção
para registrar
em prosa os
seus deleites
calados.




Algo me consterna...
minha incapacidade
evidente e mesquinha
de não conseguir
abstrair a sensibilidade
presente no ar.
Os anos passam e as
sinapses desfalecem,
surpresas distanciam-se
e aqui encontra-se
o propósito de ter
urgido estes versos.






Contudo,
aqui neste breve
desvario contemplativo,
o inefável que me acomete
apesar das companias ímpares
corrobora atentando-se ao
egoísmo mesquinho no qual
me empreendi: expectativas
são fatores deletérios
promotores ou escavadores
das inuméras fossas que defrontamos
nos percalços da vida.




Texto concebido em meio à efeméride que marca a transição para este ano (na verdade foi na tarde do dia primeiro), em presença de amigos quando confraternizamos a chegada do novo ano. Como egoísta e pouco convencional que sou, destituído de câmeras fotográficas para tal registro, peguei uma caneta e arranquei algumas folhas de um caderno velho e comecei a escrever, no pós-almoço; horário letárgico da alcalose pós-prandial. Contudo, tal registro pessoal não supre a falta das benditas câmeras. 


Memorável! Agradecimentos em especial ao dono da casa e amigo inestimável, Lucas R. Franco (vulgo bambino! digo, bob's!) e aos demais presentes: Rodrigo Amaral (sempre, SEMPRE!, uma prosa singular e extremamente agradável), Rafael e Thales  (a dupla do barulho, dementes fugidos do Galba Veloso) que vivem a me azucrinar hahaha e o garotinho feliz demais da conta, Douglas (que conheci naquele dia); os destemidos que perderam o medo da chuva, Sólon, Gibson e Cézar; Samuca, persona sui generis que quando junta comigo e com o Amaral... hahaha foda-se o mundo, prosas intermináveis! Faz falta demais esse cara por aqui em Belo Horizonte; e por último, ela que sempre me surpreende agradavelmente e que é extremamente única, agradável demais e que sempre me faz evidenciar o inefável & o inaudito, limites vocálicos e/ou sentimentais que não consigo expressar em palavras! Gosto demais dessa mocinha! Luíza França... 






Sensível demais este eu-pueril, que por motivos inefáveis é assaltado por ensejos poéticos... 


agradeço a todos.













1 comentários:

Muito bonito véio! mandou bem como sempre e me remeteu, inclusive, a coisa da amizade, a tirinha de hoje...


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