Childhood Dream's
"It's been a long winter"
No terraço amistoso
a Lua corpulenta e anêmica
urge entre antenas
fios de postes,
[prostrados
concedem a este inaudito
arrepios gratuitos
Outono amorfo
e uma precoce noite
introspectiva
de dóceis brisas e
audições nada intempestivas,
espelhos niilistas
desconquistas
Lá dentro, além-portas
e alvenaria cimentada,
zona de conforto e resguardo,
Anatema ecoa sob o selo
d'um Desastre Natural...
E aqui fora na realidade
alcatraz
com elementos e satélites
artificiais
sofro com a refração dos
pungentes raios urgidos de
minha pretensa sensibilidade
Orbitais amorfos e flutuantes
constituem meus parâmetros
que nem de soslaio fazem
deste versador um hipocondríaco
hipócrita.
Hiatos disformes formulam
consternações libidinosas e
no sertão, a educação pela
Pedra.
que não sabe lecionar
faz de mim um sertanejo
que não sabe com versar
pois a minha boca de pedra
ulcera palavras.
Talvez meu zeugma
encontre alento no
acre garimpo das palavras
pois no inefável mundo desleal...
só me concedeu pás e enxadas
O que digo é sempre
turvo e cinéreo
e por aqui sempre me disperso
dispenso
dispenço
dispenco...
Poema urgido nalguma na noite d'alguma quinta-feira deste mês efêmero mês de junho. Como podem imaginar, pela conspícua presença de termos emprestados, musicais e versados, esse poema flerta em alguns momentos com a bricolagem.
Ademais a influência de João Cabral de Melo Neto é algo latente neste que vos fala, na maioria das vezes ela aparece de soslaio, mas desta feita fiz questão de deixá-la bem evidente já que traduz muito bem os desalentos advindos da incapacidade de expressão.
E no final de semestre, algumas ruminâncias de agrado reverso, insistem em evidenciarem seu caráter sazonal...
Espero que entendam





23 de junho de 2012 às 11:13
Cara! Lindo poema... em especial a musica que usou pra ilustrar. Ouvia muito Anathema quando era moleque.
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