Himahimasei

Simetria - II

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II

De começo, confesso que não entendi bem. Às vezes, a gente olha pra uma história tão simples que desperta curiosidade. Foi bem o que aconteceu com esse caso do Neruda. Passeava tranquilamente por uma notícia de assassinato político quando vi a bomba empedrada, lá. Não explodiu.

Meio raro eu ler um jornal, por mais estranho que seja. Tem aquele ditado popular, tanto o entregador de pizza quanto o ginecologista não aguentam mais sentir o cheiro da coisa. Com o dia todo olhando pra pauta sobre pauta, você aprende a desviar o olho quando chega em casa. Aliás, que coisa incomum, notícia de suicídio chegar à imprensa.

Um universitário tinha suicidado na Mário da Costa, terceiro andar, seção filosofia. Acabado de graduar. Achei estranho, durante o curso inteiro você pensa em se matar, mas só se mata quando sai dele? Se é que, pensando melhor, já ouvi falar de gente que dá crise por causa de mercado, quando termina o curso. Qual era o curso mesmo?

Ah, arquitetura. Bom, acho que ele devia saber desde o começo que não tinha muitas perspectivas. Isso elimina a faculdade dos motivos, ao menos em partes. Mulher? Não sei, nota muito curta.

De começo, confesso que não entendi bem. E acabou que decidi investigar melhor, já que estava de folga por duas semanas do trabalho. Engraçado como a gente fica viciado em perscrutinar as coisas. E ninguém percebe como elas te perscrutinam de volta.


Continuação de Simetria - I. Novas partes devem ser publicadas em breve.
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