Objetos espalhados
na cama, no chão...
Livros organizados
de modo desorganizado
Marcas que azucrinam a linearidade
da colcha que acomete o colchão
marcas tão amarrotadas...
tão livres.
O chão, que também é teto
recebe friamente as partículas
desvinculadas e sem mimo material
sem rumo algum... sem norte ou sul
seres que desdenham a gravidade...
Acaso
que insisto em limpar
com um pano de chão
velho e encardido
embebido num balde velho
com àgua da torneira
e algum antisséptico...
Observo esses objetos
que observam meus desvarios
e meus (in)sucessos.
Companheiros silenciosos
que sabem o quão mimado sou
e não o dizem sob qualquer tortura...
Tento agradá-los
mantendo a limpeza em dia
e tentando organizá-los de algum modo.
Mas creio que prefiram
a organização de modo algum
ainda que não digam uma só palavra...
De qualquer jeito creio
fornecer entretenimento singular.
Há algum tempo
quando enchi a cabeça
com mesquinhez
mascarada sob a forma de objetivos
acredito ter ficado monótono
e rompante...
Como adoradores da espontâneidade
há de ser observado que não gostaram...
Doravante
me sinto só
ao mesmo tempo que
olhos escarniosos me encaram...
olhos que não podem ser vistos
muito menos, escutados
mas presentes de alguma forma.
E tentando agradar
dispendio energias...
que sem delongas
me apresentam formalmente
o Abissal (aproveitador lacaio)...
Talvez seja necessário
algum tratamento
ou remédio...
Ou perspicácia
no aprendizado
particular.






27 de janeiro de 2010 às 20:46
Consegui me encontrar inteiramente no sentimento geral do poema, entendo perfeitamente o que diz (ou o que quis mostrar). Talvez um de seus poemas mais "cotidianistas" e quem sabe por isso tão bom! Cada vez fica melhor, tio!
27 de janeiro de 2010 às 21:57
bom, já comentei pessoalmente... como disse, interessante o aparecimento de um bloco mais objetivo, no meio do devaneio em torno dos objetos que nos observam de volta
muito bom man.
29 de janeiro de 2010 às 13:32
Cara isso foi realmente lindo.
Depois dá uma sacada em uma banda chamada Virna Lisi no you tube, acho que as letras deles sempre me lembram muito as suas poesias.
Abração!!!
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